Bem-vindo ao Séc. XXI. Bem-vindo ao mundo Adjetivado

Colocando o pensamento em ordem percebi que nesse momento de constante busca pela diferenciação e corrida por inovar, fez com que um fenômeno surgisse, uma forma mágica de diferenciação, de tornar o igual diferente.

Percebi que hoje para chamar a atenção algumas pessoas criam adjetivos para tornar algum produto ou serviço mais interessante. Que usam palavras “da moda” para valorizar uma nova promessa.

Seguindo nessa linha, relato um exemplo que vi há pouco tempo, voltando de uma viajem à São Paulo. Um anúncio de um restaurante que dizia “Chef Detalhista” e isso bateu no fundo da minha mente e após alguns segundos olhando o que dizia o anúncio eu cheguei a seguinte conclusão óbvia: em tempos de “gourmetização”, em que todo mundo que cozinha se diz chef, o responsável pelo anúncio optou por adjetivar o cheff do local, com a palavra detalhista. Bingo, é um chef realmente diferenciado ou não é? Ele é DETALHISTA. Isso na cabeça de muitos deve bastar para torna-lo aos olhos dos consumidores um restaurante realmente diferenciado. Mas, será que isso se sustenta?

Diante disso, não quero entrar aqui nos inúmeros exemplos de adjetivação de funções, cargos e produtos que nos deparamos nos últimos tempos. O ponto aqui é anterior, a origem dessa “era da adjetivação” está na enorme oferta de produtos e serviços muito semelhantes. Vivemos o que Al Ries nos revelou no seu livro “Posicionamento a batalha por sua mente” em que ele pregava o valor de uma marca, produto ou serviço deve se posicionar frente aos demais concorrentes. Sim, ele pregava entre outras coisas, que ser o primeiro bastava, o que hoje sabemos que não é mais assim que vem funcionando.

Fica evidente então que inovação não é fácil de se atingir e não é em todo o lugar ou produto que ela irá acontecer, ou melhor, nem toda coisa nova é inovadora e gera valor, como nem toda promessa sem entrega faz do seu produto ou serviço melhor que os demais. Não basta mais ser o primeiro e nem possuir a melhor promessa se não possui a melhor entrega. Inovação surge quando os problemas que enfrentamos superam os recursos criativos existentes. E isso deve causar impacto na vida das pessoas, impacto real. Isso é um senso de propósito tanto falado em tempos de organizações exponenciais.

Para ajudar ainda mais esse debate, Seth Godin trouxe o metáfora da Vaca Roxa (Ted Talk – Purple Cow). Godin conta que se você esta na estrada e se depara com uma vaca, você não para o carro e diz: “Hey, veja só, é uma vaca!“ você segue seu caminho, afinal, você já viu muitas por ai. Mas, se você se depara com uma vaca roxa, aí sim, isso você nunca havia visto antes, é diferente e atrativo em um primeiro momento. Mas, depois você percebe que ela continua sendo uma vaca, e se todas as vacas se tornarem roxas, novamente não há percepção de valor, ela será mais um vaca roxa.


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